Comércio de Minas recua em julho, mas supera média anual
Comércio de Minas recua em julho, mas varejo ampliado cresce 4,1% no ano e supera o resultado nacional. Veja os setores que sustentam a alta.
O comércio de Minas Gerais perdeu ritmo em julho, mas o desempenho acumulado do varejo ampliado continua acima da média nacional. Segundo análise da Fecomércio MG com base nos dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do IBGE, o varejo restrito mineiro caiu 1,2% em julho na comparação com junho, enquanto a retração nacional foi de 0,8%. No varejo ampliado, a queda em Minas chegou a 1,3%, diante de uma alta de 0,4% no Brasil.
Apesar do resultado negativo no mês, o cenário muda quando são considerados os primeiros sete meses de 2026. O varejo ampliado de Minas Gerais acumulou crescimento de 4,1% entre janeiro e julho, mais que o dobro da expansão de 1,9% registrada no país.
O indicador ampliado inclui, além do varejo tradicional, atividades como veículos e motocicletas, material de construção e o atacado especializado de produtos alimentícios, bebidas e fumo.
Por que o comércio mineiro perdeu força em julho?
A retração de julho indica uma acomodação da atividade depois de meses de resultados oscilantes. Segundo a Fecomércio MG, os segmentos mais dependentes de renda, crédito e confiança do consumidor enfrentam um ambiente menos favorável.
Para a economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves, os dados apontam para uma desaceleração pontual, e não para uma perda generalizada de dinamismo.
“O resultado de julho mostra uma acomodação do varejo, principalmente em segmentos mais sensíveis às condições de crédito e à renda disponível.”
A economista destaca ainda que o acumulado do ano mantém trajetória positiva no comércio ampliado mineiro, sustentada por atividades importantes para a economia estadual.
Quais setores mais cresceram em Minas?
Na comparação entre julho de 2026 e o mesmo mês de 2025, o varejo restrito de Minas Gerais registrou crescimento de 1,4%, ligeiramente superior à alta de 1,2% observada no Brasil.
Entre os segmentos que contribuíram positivamente para o resultado mineiro estão:
- equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação: +138,4%;
- outros artigos de uso pessoal e doméstico: +3,7%;
- artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos: +2,6%.
O crescimento de 138,4% registrado por equipamentos e materiais de informática chama atenção, mas a Fecomércio MG ressalta que o resultado precisa ser analisado dentro das características específicas do segmento.
A atividade tem peso relativamente baixo no conjunto do varejo e apresenta maior volatilidade, além de sofrer influência de fatores como câmbio e reposição de estoques.
“É um crescimento que chama atenção pelo tamanho, mas não deve ser lido isoladamente como sinal de uma aceleração estrutural do consumo. O comportamento desse segmento pode variar bastante de um período para outro”, explica Fernanda Gonçalves.
Quais setores tiveram queda?
Enquanto alguns segmentos avançaram, categorias tradicionalmente associadas a compras de maior valor ficaram pressionadas.
Na comparação com julho de 2025, as principais retrações foram:
- móveis e eletrodomésticos: -9,2%;
- tecidos, vestuário e calçados: -8,7%;
- combustíveis e lubrificantes: -3,1%;
- material de construção, no varejo ampliado: -8,5%.
Para a economista da Fecomércio MG, o comportamento mostra mudanças na composição do consumo.
“Esse comportamento mostra que o consumidor não está necessariamente deixando de consumir, mas pode estar sendo mais seletivo na composição das suas compras.”
Segundo Fernanda, produtos essenciais apresentam maior estabilidade, enquanto bens duráveis e semiduráveis, que normalmente exigem maior comprometimento da renda ou acesso ao crédito, encontram mais resistência.
Como está o comércio de Minas no acumulado de 2026?
No período de janeiro a julho, o comportamento do varejo restrito foi mais fraco do que o observado no conjunto do país.
Minas Gerais acumulou alta de apenas 0,3%, enquanto o Brasil avançou 1,8%.
Entre os segmentos que pressionaram o resultado estadual estão:
- tecidos, vestuário e calçados: -6,3%;
- móveis e eletrodomésticos: -4,8%;
- livros, jornais, revistas e papelaria: -3,6%;
- combustíveis e lubrificantes: -2,6%.
Na outra ponta, equipamentos de informática registraram crescimento acumulado de 53,2%, enquanto artigos farmacêuticos avançaram 6,5%.
O cenário é diferente quando se observa o varejo ampliado. Nesse caso, Minas Gerais acumula alta de 4,1% nos sete primeiros meses do ano, resultado impulsionado principalmente por duas atividades.
O atacado especializado em alimentos, bebidas e fumo cresceu 19,1%, enquanto veículos e motocicletas registraram alta de 9,6%. Os resultados ajudaram a compensar a queda de 3% em material de construção.
Minas mantém vantagem na comparação de 12 meses
O desempenho positivo do comércio ampliado também aparece na janela de 12 meses encerrada em julho.
Nesse período, o indicador mineiro acumulou crescimento de 3,2%, enquanto a expansão nacional foi de 1,2%.
Entre os principais destaques estão o atacado especializado em alimentos, bebidas e fumo, com alta de 13,7%, e veículos, motocicletas, partes e peças, que cresceram 5,4%.
Para Fernanda Gonçalves, a análise dos diferentes períodos é importante para compreender o comportamento da economia mineira.
“Minas Gerais apresenta uma combinação de resultados que merece atenção: há uma acomodação no curto prazo, mas o desempenho acumulado do comércio ampliado permanece acima do observado no país.”
Segundo a economista, o resultado indica que a atividade mantém capacidade de crescimento, embora alguns segmentos estejam enfrentando condições mais desafiadoras.
O que os números mostram sobre o consumidor mineiro?
Os dados revelam um cenário desigual entre os segmentos do comércio. A retração mensal não significa que todas as atividades estejam apresentando o mesmo comportamento.
De um lado, produtos essenciais, medicamentos, veículos e o atacado especializado de alimentos apresentam resultados positivos. De outro, bens duráveis, vestuário e materiais de construção enfrentam quedas.
Essa diferença sugere que a análise do comércio mineiro precisa considerar não apenas o volume geral de vendas, mas também quais produtos estão sendo procurados pelos consumidores e quais condições influenciam suas decisões de compra.
A própria trajetória recente mostra essa diferença. Em junho, por exemplo, o varejo ampliado de Minas havia crescido 2,3% na comparação mensal, enquanto o indicador nacional havia recuado 1%. No primeiro semestre, o comércio ampliado mineiro acumulava alta de 4,5%.
Assim, o resultado de julho representa uma perda de ritmo no curto prazo, mas os dados acumulados ainda mostram um desempenho positivo do comércio ampliado de Minas Gerais em relação ao país.
Sobre a Fecomércio MG
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG) representa empresas dos setores de comércio de bens, serviços e turismo no estado e desenvolve estudos sobre o desempenho da economia e do consumo.
A entidade também administra o Sesc e o Senac em Minas Gerais e atua em conjunto com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) na defesa dos interesses do setor.
A análise sobre o comércio de julho foi elaborada pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência & Pesquisa da Fecomércio MG, utilizando como base os dados da Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE.
Fonte: Wagner Fernando Liberato - Comunicacão FECOMERCIO MG
Qual é a sua reação??







