Ferrovia do Café: Fecomércio MG articula avanço com TCU

Ferrovia do Café ganha força em articulação da Fecomércio MG com o TCU para ampliar o transporte de café e reduzir custos. Veja os detalhes.

Ago 19, 2026 - 14:34
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Ferrovia do Café: Fecomércio MG articula avanço com TCU

Ferrovia do Café voltou ao centro das discussões sobre infraestrutura e competitividade em Minas Gerais. O presidente do Sistema Fecomércio MG, Sesc e Senac, Nadim Donato, participou de uma reunião com ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) para tratar da recuperação e da utilização mais eficiente da malha ferroviária entre Minas Gerais e o Rio de Janeiro.

A agenda reuniu Donato, os ministros do TCU Antonio Anastasia, Bruno Dantas e Odair Cunha, além do presidente da Fecomércio RJ, Antonio Florencio de Queiroz Junior, e do consultor técnico Delmo Manoel Pinho.

O encontro discutiu a necessidade de ampliar a competitividade do transporte ferroviário, especialmente para o escoamento da produção mineira, e buscar alternativas capazes de reduzir os custos logísticos para empresas e consumidores.

O TCU confirma Antonio Anastasia, Bruno Dantas e Odair Cunha entre os integrantes de seu quadro de ministros.

O que é a Ferrovia do Café e por que ela é estratégica?

A proposta em discussão envolve a utilização de trechos da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), especialmente em uma conexão que pode aproximar importantes regiões produtoras de café do Sul de Minas dos portos fluminenses.

A Ferrovia Centro-Atlântica integra a malha ferroviária concedida federalmente e possui extensão de 7.856,8 quilômetros, abrangendo Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás, Bahia, Sergipe, São Paulo e Distrito Federal, segundo informações da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

No projeto defendido pela articulação empresarial, a recuperação de trechos atualmente ociosos ou subutilizados poderia fortalecer uma rota para o transporte de café e outras cargas entre Minas Gerais e o Rio de Janeiro.

Entre as cidades mineiras mencionadas na proposta estão:

  • Varginha;
  • Três Corações;
  • Lavras.

A ideia é conectar áreas produtoras a estruturas portuárias no Rio de Janeiro, criando uma alternativa ao transporte predominantemente rodoviário.

Reportagem publicada recentemente pela Rádio Itatiaia também registrou a articulação da Fecomércio MG e da Fecomércio RJ em torno de um corredor ferroviário para transportar café entre o Sul de Minas e os portos fluminenses.

Ferrovia poderá transportar cargas nos dois sentidos

Para Nadim Donato, a importância da proposta não está apenas na possibilidade de transportar café de Minas Gerais para os portos.

“Estamos falando de uma ferrovia que pode levar o café e outros produtos de Minas Gerais aos portos do Rio de Janeiro com mais eficiência, mas também trazer mercadorias para o Estado no retorno. Aproveitar os dois sentidos da ferrovia melhora a distribuição, reduz o custo da operação e pode fazer com que mais produtos cheguem a Minas Gerais a preços menores. É uma agenda que ajuda a reduzir o Custo Brasil e aumenta a competitividade das empresas”, afirma.

A utilização da ferrovia nos dois sentidos é apontada como uma possibilidade para aumentar a eficiência econômica da operação.

Na prática, enquanto produtos mineiros poderiam seguir em direção aos portos, o retorno dos trens poderia ser utilizado para transportar mercadorias, insumos e outros produtos destinados ao mercado de Minas Gerais.

Esse modelo amplia o potencial de utilização da infraestrutura e pode contribuir para diminuir viagens sem carga de retorno, um dos fatores que influenciam a eficiência de uma operação logística.

Corredor Minas-Rio entra no debate sobre o futuro da FCA

A discussão ocorre em um momento importante para a infraestrutura ferroviária brasileira. Em 30 de julho de 2026, a ANTT aprovou a proposta de prorrogação antecipada do contrato de concessão da Ferrovia Centro-Atlântica e encaminhou o processo ao Tribunal de Contas da União para análise.

O Ministério dos Transportes informa que a FCA é atualmente operada pela VLI e possui atuação em oito unidades da Federação. A concessão teve início em 26 de agosto de 1996 e tem prazo de 30 anos.

Paralelamente, estudos e discussões envolvendo o chamado Corredor Minas-Rio colocam em evidência trechos ferroviários subutilizados que podem ganhar nova função logística.

Informações divulgadas sobre o projeto apontam uma conexão envolvendo cidades como Arcos, Lavras e Varginha, em Minas Gerais, e Barra Mansa e Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. A proposta tem entre suas possibilidades justamente o transporte de café produzido no Sul de Minas.

Quais setores podem ser beneficiados?

Uma infraestrutura ferroviária mais eficiente pode produzir efeitos em diferentes áreas da economia mineira.

A possibilidade de transportar maiores volumes por ferrovia pode contribuir para melhorar a distribuição de mercadorias e criar novas alternativas de ligação entre regiões produtoras, centros consumidores e portos.

Entre os setores que podem ser impactados estão:

  • agronegócio;
  • indústria;
  • comércio;
  • serviços;
  • produção de café;
  • transporte e logística;
  • empresas que dependem da movimentação de insumos e mercadorias.

Para a cafeicultura, a discussão possui relevância especial. O Sul de Minas concentra importantes municípios produtores e já existem articulações para transformar a infraestrutura ferroviária em uma alternativa de escoamento da produção até o litoral fluminense.

Além do transporte de produtos agrícolas, a ferrovia também pode permitir o deslocamento de insumos em direção às regiões produtoras.

Redução de custos está entre os principais objetivos

A lógica defendida pela Fecomércio MG é que uma logística mais diversificada pode ampliar a competitividade das empresas.

A dependência excessiva de um único modal de transporte pode aumentar a exposição dos setores produtivos a custos de frete, congestionamentos e limitações de infraestrutura.

Uma alternativa ferroviária funcionando de maneira eficiente pode ajudar a distribuir melhor os fluxos de carga e criar novas possibilidades para empresas que precisam transportar grandes volumes.

A proposta também está relacionada ao chamado Custo Brasil, expressão utilizada para representar fatores que aumentam o custo de produzir, transportar e comercializar bens no país.

A recuperação de trechos ferroviários, portanto, não envolve apenas a circulação de trens. O objetivo econômico é criar uma infraestrutura capaz de apoiar cadeias produtivas e melhorar as condições de competitividade.

Fecomércio MG amplia articulação institucional

A reunião com integrantes do TCU faz parte de uma agenda institucional voltada à infraestrutura e ao desenvolvimento econômico de Minas Gerais.

A Fecomércio MG atua na representação dos setores de comércio de bens, serviços e turismo no estado e mantém interlocução com diferentes órgãos públicos na discussão de temas relacionados ao ambiente empresarial e à atividade econômica.

A entidade também administra o Sesc e o Senac em Minas Gerais, instituições que integram o Sistema Fecomércio.

Com a articulação em torno da Ferrovia do Café, a entidade busca colocar a infraestrutura ferroviária no debate sobre redução de custos, ampliação da competitividade e fortalecimento das conexões logísticas de Minas Gerais.

O momento é considerado relevante porque a FCA passa por um processo relacionado à continuidade de sua concessão. A ANTT já encaminhou ao TCU a proposta de prorrogação antecipada do contrato, colocando o tribunal novamente no centro das discussões sobre o futuro da malha.

A ANTT mantém documentos e aditivos do contrato de concessão da FCA em seu portal oficial, incluindo atualização contratual publicada em janeiro de 2026.

Sobre a Fecomércio MG

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG) representa o setor do comércio de bens, serviços e turismo no estado.

Segundo as informações fornecidas pela entidade, a Federação reúne mais de 750 mil empresas e 54 sindicatos e atua na defesa dos interesses do setor empresarial por meio do diálogo com governos e sociedade.

A instituição também administra o Sesc e o Senac em Minas Gerais, ampliando sua atuação em áreas relacionadas à formação profissional, serviços e desenvolvimento social.

A Fecomércio MG mantém parceria institucional com a Confederação Nacional do Comércio (CNC) na defesa dos interesses do setor em âmbito municipal, estadual e federal.

Com 87 anos de atuação, a Federação afirma ter como uma de suas prioridades contribuir para o fortalecimento da economia mineira e para a melhoria das condições de atuação das empresas.

No caso da Ferrovia do Café, a articulação envolve uma pauta que ultrapassa o setor cafeeiro e alcança questões estratégicas de infraestrutura, logística, competitividade e integração econômica entre Minas Gerais e o Rio de Janeiro.

Fonte: Wagner Fernando Liberato - Comunicacão FECOMERCIO MG

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