Mendonça incluiu Flávio Bolsonaro no caso Dark Horse

Flávio Bolsonaro é investigado no caso Dark Horse por suspeitas envolvendo R$ 61 milhões do Banco Master. Entenda o que apura a PF.

Set 11, 2026 - 13:48
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Mendonça incluiu Flávio Bolsonaro no caso Dark Horse

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a ser investigado formalmente pela Polícia Federal em um inquérito que apura possíveis crimes relacionados ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido da Polícia Federal e manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Flávio foi incluído, em 22 de julho, na apuração sobre o repasse de aproximadamente R$ 61 milhões para custear a produção do longa-metragem. Segundo a investigação, os recursos teriam sido disponibilizados pelo empresário Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, a pedido do senador.

O caso também envolve o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, apontado nas investigações como possível beneficiário de parte dos recursos destinados ao projeto.

O que a Polícia Federal investiga?

De acordo com o pedido apresentado pela Polícia Federal, a investigação pretende apurar a possível prática de crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos relacionados ao financiamento de Dark Horse.

No documento, a PF solicita a abertura de procedimento sigiloso vinculado ao inquérito que investiga o caso Banco Master.

A corporação cita diretamente Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro no contexto da operação financeira relacionada ao filme.

O inquérito, porém, não representa uma condenação. A investigação deverá reunir documentos, depoimentos e outros elementos para verificar se houve irregularidades e qual teria sido a participação de cada pessoa eventualmente envolvida.

Como o dinheiro chegou ao filme Dark Horse?

A apuração ganhou força depois que reportagens do portal The Intercept Brasil revelaram mensagens e áudios envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.

Segundo o material publicado pelo veículo, Flávio teria negociado com Vorcaro um montante de US$ 24 milhões, equivalente a cerca de R$ 134 milhões conforme as cotações consideradas na época, para financiar o filme.

Do total negociado, pelo menos US$ 10,6 milhões, aproximadamente R$ 61 milhões, teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025 em seis operações destinadas ao financiamento do projeto cinematográfico.

As reportagens também apontaram que parte dos recursos foi encaminhada para um fundo denominado Havengate Development Fund LP, sediado nos Estados Unidos.

O Intercept informou ainda que documentos e contratos apontavam participação de Eduardo Bolsonaro na estrutura relacionada ao filme e no gerenciamento financeiro do projeto.

Por que André Mendonça tornou o caso público?

A existência do inquérito envolvendo diretamente Flávio Bolsonaro veio a público depois que André Mendonça retirou parte do sigilo de procedimentos derivados da Operação Compliance Zero, investigação que envolve suspeitas relacionadas ao Banco Master.

A decisão ocorreu após solicitação do presidente do STF, ministro Edson Fachin, que pediu publicidade das investigações relacionadas ao caso, ressalvando informações cujo sigilo fosse considerado indispensável para o cumprimento de diligências.

Mesmo com a publicidade de parte dos documentos, Mendonça manteve sob sigilo elementos da investigação que possam comprometer diligências em andamento.

A divulgação ocorreu em meio ao avanço das apurações sobre as relações financeiras entre Vorcaro e pessoas ligadas à produção de Dark Horse.

O que mudou com a delação sobre Dark Horse?

Outro elemento importante da investigação surgiu em 9 de setembro, quando André Mendonça homologou a delação premiada do doleiro Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”.

Segundo a Agência Brasil, Freixo Júnior é apontado como responsável por realizar repasses de dinheiro relacionados ao financiamento do filme para o fundo Havengate, nos Estados Unidos. O fundo seria administrado por um advogado próximo a Eduardo Bolsonaro.

A homologação da delação acrescenta um novo elemento à investigação sobre a origem, a movimentação e o destino dos recursos relacionados à produção cinematográfica.

Com isso, os investigadores passam a contar também com informações fornecidas por um personagem apontado como responsável por parte das movimentações financeiras.

O que Flávio Bolsonaro diz sobre a investigação?

Desde que as informações sobre o financiamento vieram a público, Flávio Bolsonaro sustenta que não há irregularidade em buscar recursos privados para produzir um filme sobre seu pai.

Reportagens do Intercept registraram que o senador inicialmente contestou as informações sobre sua relação financeira com Vorcaro e, posteriormente, passou a admitir a existência de contatos relacionados ao financiamento do longa.

Em maio, o Intercept publicou mensagens segundo as quais Flávio teria negociado diretamente com Vorcaro os recursos destinados ao projeto. O veículo também divulgou registros de conversas entre os envolvidos.

A Agência Brasil informou que procurava a defesa do senador em relação ao inquérito.

O que a investigação ainda precisa esclarecer?

A apuração conduzida pela Polícia Federal deverá verificar principalmente a origem dos recursos, a forma como os valores foram movimentados e a eventual participação de cada investigado nas operações.

Entre os principais pontos sob análise estão:

  • origem dos aproximadamente R$ 61 milhões já identificados;
  • destino dos recursos enviados ao exterior;
  • relação entre Daniel Vorcaro e os responsáveis pela produção de Dark Horse;
  • eventual participação de Flávio Bolsonaro nas operações financeiras;
  • possível benefício obtido por Eduardo Bolsonaro;
  • existência ou não de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção ou outros crimes;
  • informações que possam surgir a partir da delação de Antônio Carlos Freixo Júnior.

A investigação ocorre dentro de um conjunto mais amplo de procedimentos derivados da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas relacionadas ao antigo Banco Master e às operações financeiras atribuídas ao grupo de Daniel Vorcaro.

Por enquanto, Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro são alvos de investigação, e não condenados pelos crimes mencionados no pedido da Polícia Federal.

O avanço do inquérito e a análise dos documentos, depoimentos e informações fornecidas pelos envolvidos deverão determinar se as suspeitas apresentadas pela Polícia Federal serão confirmadas ou descartadas ao longo da apuração.

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