Turismo em Minas Gerais reage, mas recuperação ainda é lenta

Turismo em Minas Gerais cresce 1,4% em maio, mas ainda acumula perdas no ano. Veja o que explica a reação e os desafios do setor mineiro.

Jul 25, 2026 - 12:14
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Turismo em Minas Gerais reage, mas recuperação ainda é lenta

O turismo em Minas Gerais voltou a crescer em maio de 2026 e registrou o melhor desempenho entre os locais pesquisados pelo IBGE na comparação com o mês anterior. A atividade turística mineira avançou 1,4% em relação a abril, enquanto o resultado nacional apresentou retração de 0,4%. Apesar do sinal positivo, os números acumulados mostram que o setor ainda enfrenta dificuldades para recuperar completamente o ritmo perdido nos últimos meses.

Os dados fazem parte da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que acompanha a evolução do setor de serviços e inclui um indicador específico para as atividades turísticas. A análise divulgada pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Fecomércio MG mostra que a recuperação em Minas Gerais ocorre de maneira gradual e ainda não foi suficiente para eliminar as perdas acumuladas.

O resultado de maio chama atenção porque coloca o estado em uma posição diferente daquela observada nos indicadores de médio e longo prazo. Na comparação mensal, Minas Gerais apresentou crescimento de 1,4%, enquanto o turismo brasileiro recuou 0,4%. Segundo o IBGE, o estado liderou os ganhos entre os 17 locais pesquisados para o indicador de atividades turísticas naquele mês.

A melhora, entretanto, precisa ser analisada com cautela. O avanço registrado em maio representa uma reação pontual na margem, mas os indicadores acumulados ainda mostram um cenário desafiador para empresas que atuam com hospedagem, alimentação, transporte, lazer e outros serviços relacionados às viagens.

O turismo em Minas Gerais está se recuperando?

Sim, mas a recuperação ainda acontece de forma lenta e desigual. O crescimento de 1,4% registrado em maio em relação a abril indica uma reação do setor, mas os resultados acumulados revelam que Minas Gerais ainda precisa avançar para recuperar o desempenho perdido ao longo dos últimos meses.

Na comparação entre maio de 2026 e o mesmo mês do ano anterior, a atividade turística mineira apresentou retração de 2,8%. No Brasil, a queda foi de 1,6%.

O cenário também aparece nos resultados acumulados:

  • De janeiro a maio de 2026, Minas Gerais registrou retração de 5,6%;
  • No mesmo período, o indicador nacional ficou praticamente estável, com variação de -0,1%;
  • No acumulado dos últimos 12 meses, Minas Gerais apresentou queda de 6,6%;
  • No Brasil, o indicador acumulado em 12 meses registrou crescimento de 1,7%.

Os dados mostram, portanto, uma diferença importante entre o resultado mais recente e o desempenho acumulado. O turismo mineiro conseguiu reagir em maio, mas ainda precisa manter uma trajetória positiva por vários meses para que essa recuperação se transforme em uma tendência mais consistente.

O levantamento do IBGE confirma que Minas Gerais teve crescimento de 1,4% na passagem de abril para maio, enquanto a atividade turística nacional caiu 0,4%. Na comparação anual, porém, o estado apresentou retração de 2,8%.

O que está ajudando o turismo mineiro a reagir?

De acordo com a análise da Fecomércio MG, o avanço observado em maio foi impulsionado principalmente pelo desempenho de atividades ligadas ao consumo das famílias, como alojamento, alimentação e outros serviços relacionados ao lazer.

Esse movimento pode estar associado ao fortalecimento das viagens domésticas e regionais, especialmente aquelas realizadas por períodos mais curtos.

Minas Gerais possui características que favorecem esse tipo de turismo. O estado reúne cidades históricas, destinos de natureza, gastronomia, cultura, patrimônio arquitetônico e uma extensa rede de municípios com vocação turística.

Para o visitante, isso permite organizar viagens de diferentes durações e custos. Uma pessoa pode fazer uma viagem de fim de semana para uma cidade próxima ou planejar um roteiro mais longo envolvendo diferentes regiões do estado.

Entre os segmentos que podem se beneficiar do movimento estão:

  • Hotéis, pousadas e meios de hospedagem;
  • Restaurantes e estabelecimentos de alimentação;
  • Atrativos turísticos e parques;
  • Serviços de transporte;
  • Agências e operadores de viagens;
  • Eventos culturais e gastronômicos;
  • Comércio voltado aos visitantes;
  • Atividades de lazer e entretenimento.

A pesquisa do IBGE também mostra que, no conjunto do país, o segmento de atividades turísticas ainda estava 10,8% acima do patamar registrado em fevereiro de 2020, embora permanecesse 2,5% abaixo do pico histórico alcançado em dezembro de 2024.

Por que Minas Gerais ainda enfrenta dificuldades?

O principal desafio está na diferença entre a reação observada em maio e o desempenho acumulado ao longo do tempo.

Enquanto o resultado mensal foi positivo, Minas Gerais apresentou retração de 5,6% no acumulado dos cinco primeiros meses de 2026 e queda de 6,6% nos últimos 12 meses.

Na avaliação apresentada pela Fecomércio MG, os setores ligados ao transporte e aos serviços profissionais, administrativos e complementares continuam apresentando desempenho mais fraco.

Essa situação pode afetar especialmente atividades que dependem de maior mobilidade e de viagens corporativas.

O turismo de lazer, por sua vez, possui dinâmica diferente. Uma família pode decidir viajar de carro para um destino próximo durante um feriado ou fim de semana, enquanto uma viagem de negócios depende de uma série maior de fatores econômicos e empresariais.

Por isso, uma recuperação concentrada no lazer pode não ser suficiente para fazer todo o setor turístico avançar na mesma velocidade.

A própria análise da Fecomércio MG aponta que o turismo mineiro precisa recuperar segmentos estratégicos para consolidar um ciclo mais sustentável de crescimento.

O interior de Minas pode ganhar força com o turismo regional?

O potencial é grande, especialmente porque Minas Gerais possui uma das maiores diversidades turísticas do país.

No interior, o turismo pode funcionar como uma importante ferramenta de movimentação econômica, distribuindo renda entre diferentes setores e criando oportunidades para pequenos negócios.

No Sudoeste de Minas, por exemplo, a combinação entre cafeicultura, gastronomia, natureza e turismo rural abre possibilidades para experiências ligadas à produção de café e à identidade regional.

A chamada Rota do Café pode ser explorada por visitantes interessados em conhecer propriedades rurais, processos de produção, cafeterias, produtos artesanais e experiências gastronômicas.

Além do café, outras regiões mineiras possuem atrativos próprios, como:

  • Turismo histórico e cultural;
  • Turismo de natureza e aventura;
  • Gastronomia regional;
  • Turismo rural;
  • Circuitos de águas e bem-estar;
  • Festivais gastronômicos e culturais;
  • Experiências ligadas à produção artesanal.

Esse potencial, entretanto, depende de infraestrutura, divulgação, qualificação dos serviços e facilidade de acesso aos destinos.

Para municípios menores, o turismo regional pode representar uma oportunidade de ampliar a circulação de visitantes sem depender exclusivamente de grandes feriados ou de temporadas específicas.

O que pode acontecer com o turismo de Minas nos próximos meses?

O desempenho dos próximos meses será fundamental para saber se o crescimento registrado em maio representa o início de uma recuperação mais duradoura.

Para a Fecomércio MG, a continuidade da melhora das condições econômicas e a expansão dos investimentos no setor são fatores importantes para fortalecer a atividade turística.

A entidade também destaca a necessidade de ampliar a infraestrutura e melhorar a oferta de serviços, além de recuperar segmentos que ainda apresentam desempenho negativo.

Minas Gerais possui um diferencial competitivo importante: a diversidade de experiências que pode oferecer ao visitante.

O estado consegue reunir, em diferentes regiões, turismo histórico, natureza, gastronomia, cultura e experiências rurais. Essa variedade permite trabalhar diferentes perfis de público e estimular viagens durante todo o ano.

O desafio está em transformar esse potencial em uma atividade econômica cada vez mais estruturada.

Turismo mineiro ainda precisa recuperar o terreno perdido

O crescimento de 1,4% em maio representa uma notícia positiva para o turismo de Minas Gerais, principalmente porque ocorreu em um momento em que o indicador nacional apresentou retração de 0,4%.

O dado mostra que existe capacidade de reação e que segmentos ligados ao lazer, à alimentação e à hospedagem podem estar encontrando espaço para avançar.

Por outro lado, os números acumulados recomendam cautela. A retração de 5,6% entre janeiro e maio e a queda de 6,6% no acumulado de 12 meses mostram que o setor ainda está distante de uma recuperação completa.

A diferença entre o resultado mensal e o acumulado é justamente o ponto que merece maior atenção. Um único mês positivo é importante, mas a consolidação de uma tendência depende da manutenção desse movimento ao longo dos próximos períodos.

Para Minas Gerais, a recuperação do turismo pode representar muito mais do que o crescimento de hotéis e restaurantes. A atividade movimenta uma cadeia ampla, que envolve transporte, comércio, alimentação, cultura, lazer e serviços.

Com sua diversidade de destinos e experiências, o estado possui condições para ampliar o turismo doméstico e regional. No entanto, o desempenho futuro dependerá da capacidade de transformar essa diversidade em produtos turísticos estruturados, acessíveis e competitivos.

O resultado de maio, portanto, deixa uma mensagem dupla para o setor: há sinais de reação, mas ainda existe um longo caminho para recuperar o ritmo de crescimento.

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