Turnover no comércio mineiro cai e equipes ficam mais estáveis
Turnover no comércio mineiro caiu de 5,77% em março para 4,88% em junho, indicando maior estabilidade das equipes no primeiro semestre. Confira.
O turnover no comércio mineiro caiu ao longo do segundo trimestre de 2026, indicando uma maior estabilidade das equipes após um início de ano marcado pela movimentação de trabalhadores. O indicador de rotatividade criado e divulgado de forma inédita em Minas Gerais pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Fecomércio MG apresentou média mensal de 5,21% entre janeiro e junho, enquanto a taxa acumulada no primeiro semestre chegou a 31,79%.
O comportamento mês a mês, porém, revela uma mudança importante ao longo do período. A rotatividade começou 2026 em 4,96%, subiu para 5,31% em fevereiro e alcançou 5,77% em março, maior índice registrado no semestre.
A partir de abril, o movimento se inverteu. O indicador caiu para 5,27%, recuou novamente para 5,08% em maio e chegou a 4,88% em junho, menor percentual registrado nos seis primeiros meses do ano.
O resultado de junho representa uma redução de 3,9% em relação a maio e de 15,4% na comparação com o pico de março.
Por que a rotatividade caiu no comércio mineiro?
Para a economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves, os números apontam para dois momentos diferentes no primeiro semestre.
“Os dados mostram dois movimentos distintos. No primeiro trimestre, o comércio absorveu os ajustes naturais depois do período de contratações temporárias do fim do ano. A partir de abril, observamos uma redução contínua do turnover, indicando maior estabilidade nas equipes. Isso é relevante para as empresas porque a permanência dos profissionais contribui para preservar conhecimento, experiência e produtividade”, avalia.
A elevação registrada entre janeiro e março está relacionada principalmente ao encerramento das contratações temporárias realizadas para atender ao aumento da demanda nas vendas de fim de ano.
Além disso, os primeiros meses do calendário costumam concentrar maior movimentação no mercado de trabalho, com trabalhadores procurando novas oportunidades e empresas ajustando seus quadros de acordo com as expectativas para as vendas e para a atividade econômica.
A partir de abril, entretanto, o cenário começou a mudar.
O período coincidiu com datas importantes para o varejo, como o Dia das Mães e o Dia dos Namorados. A manutenção da atividade pode ter contribuído para que empresas preservassem profissionais já treinados, reduzindo a necessidade de novas contratações e os custos associados à adaptação de trabalhadores.
“Quando uma empresa consegue manter uma equipe que já conhece os processos, os produtos e o perfil dos clientes, ela reduz o tempo e os custos envolvidos na reposição de trabalhadores. Em um setor como o comércio, no qual a experiência do profissional tem impacto direto no atendimento, essa estabilidade pode fazer diferença na operação”, explica Fernanda Gonçalves.
O que o turnover revela sobre o mercado de trabalho?
O turnover substitutivo é utilizado para estimar a intensidade da reposição da mão de obra no mercado formal. A metodologia adotada pela Fecomércio MG considera o menor valor entre admissões e desligamentos como uma aproximação estatística do volume de substituições.
Isso ocorre porque os dados do Novo Caged não permitem identificar diretamente se determinada contratação corresponde exatamente à vaga deixada por um trabalhador desligado.
Por essa razão, a taxa deve ser entendida como uma medida indireta da substituição de trabalhadores no mercado formal, e não como uma contagem exata de funcionários que foram substituídos.
Apesar da queda observada nos últimos meses, o acumulado de 31,79% no primeiro semestre mostra que a rotatividade continua sendo um desafio para as empresas do comércio mineiro.
Uma movimentação elevada das equipes pode gerar impactos sobre custos de recrutamento, treinamento, produtividade e retenção de profissionais.
Para Fernanda Gonçalves, a redução registrada nos últimos meses é positiva, mas ainda exige atenção das empresas.
“A queda do turnover nos últimos meses é uma sinalização favorável, mas não significa que o problema esteja resolvido. A rotatividade ainda exige atenção das empresas. Investir na permanência dos profissionais, na qualidade do ambiente de trabalho, na capacitação e em políticas capazes de valorizar o trabalhador pode ajudar a reduzir perdas e melhorar a eficiência das operações”, afirma.
Minas Gerais teve saldo positivo de empregos em junho
Os dados de rotatividade ajudam a complementar a análise tradicional do mercado de trabalho, que normalmente concentra atenção na diferença entre admissões e desligamentos.
Em junho, segundo o Novo Caged, Minas Gerais registrou saldo positivo de 20.805 empregos formais, resultado de 239.167 admissões e 218.362 desligamentos. O estado apresentou uma das maiores gerações de empregos do país naquele mês, atrás apenas de São Paulo entre os resultados estaduais.
No acumulado do primeiro semestre de 2026, Minas Gerais registrou saldo positivo de 108.977 empregos formais. O dado mostra que o mercado de trabalho mineiro continuou ampliando o número de vínculos formais, embora o comportamento tenha sido diferente entre os setores.
No cenário nacional, o Novo Caged apontou a criação de 921.645 empregos formais entre janeiro e junho, enquanto junho apresentou saldo de 145.161 postos.
No comércio brasileiro, porém, o resultado acumulado no ano foi negativo, com redução de 3.514 postos formais até junho. Em junho, por outro lado, o setor apresentou saldo positivo de 19.177 empregos no país.
Os números reforçam a importância de observar não apenas quantas vagas são criadas ou eliminadas, mas também a movimentação dos trabalhadores dentro do mercado.
Estabilidade das equipes pode reduzir custos para empresas
A redução do turnover observada entre março e junho pode representar um cenário mais favorável para empresas que buscam preservar profissionais experientes.
No comércio, a permanência de trabalhadores pode ter impacto direto sobre o atendimento, o conhecimento dos produtos, os processos internos e o relacionamento com os consumidores.
Entre os principais efeitos associados à manutenção de equipes mais estáveis estão:
- redução da necessidade de novos processos de recrutamento;
- menor demanda por treinamento de novos funcionários;
- preservação do conhecimento adquirido pelos profissionais;
- maior continuidade nos processos internos;
- possibilidade de ganhos de produtividade e eficiência.
A Fecomércio MG destaca, portanto, que a redução do turnover deve ser acompanhada como um indicador complementar à geração de empregos.
O primeiro semestre termina com uma combinação de saldo positivo de empregos formais em Minas Gerais e queda gradual da rotatividade no comércio, mas os dados também mostram que a substituição de trabalhadores continua sendo uma questão relevante para as empresas.
Sobre a Fecomércio MG
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG) é uma das principais entidades representativas do comércio de bens, serviços e turismo no estado. A instituição reúne mais de 750 mil empresas e 54 sindicatos, atuando na representação dos interesses do setor e na produção de estudos e informações sobre a economia mineira.
Sob a presidência de Nadim Elias Donato Filho, a entidade participa de debates relacionados ao ambiente de negócios, trabalho, tributação e desenvolvimento econômico de Minas Gerais.
A Fecomércio MG também administra o Serviço Social do Comércio (Sesc) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) em Minas Gerais. A atuação integrada das instituições busca oferecer serviços e ações voltados aos trabalhadores do comércio, empresários e à sociedade.
A Federação mantém ainda articulação com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), presidida por José Roberto Tadros, na defesa de pautas relacionadas ao setor em âmbito municipal, estadual e federal.
Com 87 anos de atuação, a Fecomércio MG mantém presença na agenda econômica de Minas Gerais e amplia a produção de informações para auxiliar empresas e gestores na compreensão do cenário econômico e do mercado de trabalho.
Fonte: Wagner Fernando Liberato - Comunicacão FECOMERCIO MG
Qual é a sua reação??







