Viagens em Minas: preço faz belo-horizontino mudar destino

Viagens em Minas estão nos planos dos belo-horizontinos, mas o preço ainda pesa na escolha do destino. Veja o que revela a pesquisa.

Set 4, 2026 - 14:20
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Viagens em Minas: preço faz belo-horizontino mudar destino

Viajar está nos planos dos moradores de Belo Horizonte, mas o preço continua sendo um dos principais obstáculos na hora de transformar o desejo em viagem. Pesquisa do Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência & Pesquisa da Fecomércio MG mostra que 70,2% dos belo-horizontinos afirmam viajar menos do que gostariam.

O levantamento revela uma demanda reprimida e, ao mesmo tempo, uma oportunidade para os destinos turísticos de Minas Gerais. Para 33,6% dos entrevistados, a redução nos preços da hospedagem seria o principal estímulo para escolher uma viagem dentro do estado. Outros 25,9% apontam que simplesmente encontrar preços menores poderia influenciar a decisão.

Nos próximos seis meses, 23,7% dos entrevistados pretendem viajar para municípios mineiros, enquanto 25,4% planejam visitar outros estados. Já 42,7% afirmaram não ter intenção de viajar no período pesquisado.

Para a turismóloga da Fecomércio MG, Milena Soares, os números indicam que existe espaço para Minas Gerais conquistar uma parcela maior das viagens realizadas pelos próprios mineiros.

“Existe uma demanda reprimida. Quando sete em cada dez entrevistados dizem que viajam menos do que gostariam, temos um público interessado, mas que encontra barreiras para transformar a intenção em viagem. Para Minas Gerais, isso significa uma oportunidade de apresentar destinos próximos, experiências diversificadas e opções que possam caber em diferentes orçamentos. O preço da hospedagem aparece como um ponto muito sensível, por isso é necessário pensar além dele e entender como a experiência durante a hospedagem pode fazer diferença nessa decisão”, avalia Milena.

Por que o preço pesa tanto na escolha das viagens em Minas?

O levantamento mostra que o orçamento é um fator decisivo para boa parte dos consumidores. Entre os entrevistados que pretendem viajar, quase metade concentra o planejamento em despesas de até R$ 1.621.

A distribuição do orçamento previsto é a seguinte:

  • 24,6% estimam gastar entre R$ 811 e R$ 1.621;
  • 24,1% pretendem gastar até R$ 810;
  • 19,3% planejam desembolsar entre R$ 1.622 e R$ 3.242.

Para a economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves, os dados mostram que a intenção de viajar existe, mas encontra limites concretos na capacidade financeira das famílias.

“O comportamento do consumidor mostra que existe intenção de viajar, mas o orçamento estabelece um limite bastante concreto. Quando quase metade dos entrevistados concentra seu planejamento em viagens de até R$ 1.621, fica evidente a importância de preços competitivos. Para o setor, compreender esse limite de gasto ajuda a construir produtos e serviços mais adequados à realidade financeira do consumidor”, afirma Fernanda.

Além dos preços de hospedagem, outros fatores poderiam tornar Minas Gerais mais atraente para os próprios moradores da capital. Entre eles estão:

  • preços menores, apontados por 25,9%;
  • maior diversidade de opções de lazer, citada por 15,5%;
  • maior divulgação dos pontos turísticos, indicada por 8,6%.

“Não é apenas uma questão de preço. O consumidor precisa perceber valor na viagem. Se o destino oferece uma experiência interessante, facilidade de acesso, boa estrutura e opções de lazer, ele passa a ter mais elementos para justificar esse gasto. Para o comércio e os serviços, isso significa uma oportunidade de criar ofertas que estimulem a permanência e ampliem o consumo durante a viagem”, acrescenta Fernanda.

Sol e praia lideram preferência dos belo-horizontinos

Mesmo sem litoral, o turismo de sol e praia continua sendo o principal desejo dos belo-horizontinos. Esse tipo de viagem foi citado por 42,1% dos entrevistados.

Na sequência aparecem:

  • visitas a familiares, com 35,5%;
  • turismo gastronômico, com 19,3%;
  • turismo cultural, com 15,4%;
  • ecoturismo, com 9,2%.

Nos últimos 12 meses, 38,9% dos entrevistados realizaram viagens dentro de Minas Gerais, enquanto 29,6% viajaram para outros estados.

No comportamento habitual, 53,3% afirmam viajar para municípios mineiros e 35,7% para outros estados.

Para Milena Soares, os números não significam que Minas Gerais precise disputar diretamente o público interessado em praia. O desafio, segundo ela, é tornar mais visível a diversidade de experiências que o estado pode oferecer.

“O sol e praia lidera, mas a pesquisa também mostra uma procura importante por gastronomia, cultura, ecoturismo e experiências ligadas à família. Minas tem um repertório muito amplo nesses segmentos. O desafio é fazer com que essas possibilidades sejam mais conhecidas e percebidas como opções de viagem, inclusive para quem mora na própria capital”, explica.

A viagem começa no celular

Antes de escolher o destino, o turista pesquisa. A internet é a principal fonte de informação para 49,5% dos entrevistados.

As redes sociais também ocupam espaço importante na decisão. Os canais mais citados foram:

  • Instagram: 23%;
  • WhatsApp: 19,5%;
  • TikTok: 9,3%.

Parentes e amigos também continuam influenciando a escolha do destino e foram citados por 29,6% dos entrevistados.

Apesar da importância do ambiente digital para a pesquisa, 41,9% afirmam não comprar serviços turísticos pela internet.

Entre aqueles que realizam compras online, os serviços mais procurados são:

  • hospedagem, com 36,2%;
  • transporte rodoviário, com 31,7%;
  • passagens aéreas, com 9,3%.

“A viagem começa muito antes do embarque. Ela começa na pesquisa, na comparação de preços e na busca por referências. Se o destino mineiro não aparece nesse momento, perde a oportunidade de entrar no radar do turista. Divulgação digital, informação clara e conteúdo que mostre experiências reais podem ajudar a transformar interesse em escolha”, observa Milena.

Como Minas Gerais pode transformar interesse em viagem?

Os dados indicam que os destinos e empresários do setor turístico precisam estar presentes desde o início da jornada de decisão do consumidor.

Facilitar a pesquisa, apresentar preços de forma clara e comunicar melhor as experiências disponíveis são fatores que podem ajudar a transformar a intenção em uma viagem efetiva.

A pesquisa também aponta espaço para:

  • ofertas voltadas a viagens curtas;
  • pacotes com diferentes faixas de preço;
  • experiências que combinem gastronomia, cultura, lazer e natureza;
  • informações claras sobre acesso, hospedagem e atrações;
  • divulgação digital voltada ao momento de planejamento da viagem.

“O empresário precisa pensar na experiência completa e não apenas em vender um serviço. O turista quer saber quanto vai gastar, o que poderá fazer, como chegar e o que encontrará no destino. Quanto mais fácil for encontrar essas respostas, maior a chance de transformar uma pesquisa na internet em uma viagem de fato. Para destinos mineiros, também é importante criar experiências integradas, conectando hospedagem, gastronomia, cultura, lazer e comércio”, aponta Milena Soares.

Turista faz o próprio roteiro e prefere viagens curtas

O levantamento da Fecomércio MG também revela um perfil de viajante que organiza grande parte da experiência por conta própria.

Oito em cada dez entrevistados, o equivalente a 82,2%, afirmam montar o próprio roteiro.

O planejamento costuma ocorrer com antecedência relativamente curta:

  • 34,5% programam a viagem com até três meses de antecedência;
  • 24,9% planejam viajar com até um mês de antecedência.

O cônjuge é o principal acompanhante, citado por 33,6%, seguido pelos filhos, com 22,3%.

O ônibus ou van é o meio de transporte mais utilizado, com 51%, seguido pelo carro, com 41%, e pelo avião, com 7,2%.

A permanência também tende a ser curta. Segundo a pesquisa, 72,5% costumam permanecer até uma semana no destino. Feriados e recessos são os períodos preferidos para viajar, citados por 48,6%, seguidos pelas férias, com 38,5%.

“Esse comportamento favorece destinos que conseguem entregar uma experiência completa em poucos dias. Para Minas, isso é muito interessante. Uma viagem de curta duração pode combinar gastronomia, cultura, natureza, compras e lazer, movimentando diferentes segmentos da economia local”, destaca Milena.

A pesquisa desenha, portanto, o perfil de um consumidor que quer viajar, pesquisa antes de decidir, monta o próprio roteiro e acompanha de perto o impacto dos gastos no orçamento.

Para o turismo de Minas Gerais, a oportunidade está em transformar esse interesse em escolha, com destinos mais conhecidos, informações acessíveis, experiências bem apresentadas e preços compatíveis com a realidade financeira do público.

Fonte: Wagner Fernando Liberato - Comunicacão FECOMERCIO MG

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