Semana de 4 dias pode elevar produtividade e economia

Estudo com empresas em Portugal indica que jornada de 4 dias aumenta produtividade, reduz faltas e pode beneficiar a economia e o bem-estar

Abr 29, 2026 - 09:15
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Semana de 4 dias pode elevar produtividade e economia
Livro do professor de economia da Universidade de Londres Pedro Gomes traz experiências de mais de 40 empresas que reduziram a escala de trabalho para quatro dias, com três dias de folga - Pedro Gomes/Arquivo Pessoal

  Com o livro Sexta-Feira é o Novo Sábado, o economista português Pedro Gomes, professor da Universidade de Londres, tem ampliado o debate sobre a semana de trabalho de quatro dias. A partir da análise de 41 empresas em Portugal, que adotaram voluntariamente a escala 4x3, o estudo mostra que a redução da jornada pode ser viável e trazer ganhos econômicos e sociais consistentes.

  Segundo o pesquisador, a diminuição das horas trabalhadas não apenas melhora a qualidade de vida dos trabalhadores, como também pode impulsionar a economia. No caso brasileiro, Gomes avalia que há condições para reduzir a jornada para 40 horas semanais e avançar no debate sobre o fim da escala 6x1, tema cada vez mais discutido no mercado de trabalho.

  Os dados analisados indicam efeitos positivos diretos nas empresas. A redução da jornada contribui para diminuir faltas, reduzir a rotatividade e aumentar o engajamento dos funcionários. Além disso, o aumento da produtividade por hora trabalhada aparece como fator central para compensar possíveis custos operacionais.

  Entre as empresas estudadas, mais da metade decidiu manter a jornada reduzida, enquanto uma parcela optou por modelos intermediários. Apenas uma minoria retornou ao formato tradicional. A maioria relatou estabilidade ou crescimento de receitas, além de melhorias nos processos internos, com destaque para a redução do tempo gasto em reuniões e maior eficiência organizacional.

  A reorganização do trabalho é apontada como essencial para o sucesso do modelo. Empresas que adaptaram escalas, distribuíram melhor as equipes e otimizaram tarefas conseguiram manter ou até ampliar resultados, mesmo com menos dias trabalhados.

  Outro ponto relevante é o impacto no consumo e na economia como um todo. Com mais tempo livre, trabalhadores tendem a consumir mais serviços ligados ao lazer, turismo, cultura e entretenimento. Esse efeito já foi observado historicamente. O industrial Henry Ford, por exemplo, reduziu a jornada para 40 horas semanais em 1926, consolidando o fim de semana de dois dias e estimulando setores como cinema, esportes e turismo.

  Experiências internacionais reforçam essa tendência. Nos Estados Unidos, a redução da jornada contribuiu para o crescimento de indústrias culturais. Na China, a adoção do fim de semana de dois dias em 1995 impulsionou o turismo interno, que se tornou um dos maiores do mundo. Em Portugal, a jornada foi reduzida de 44 para 40 horas em 1996, acompanhando transformações no mercado de trabalho europeu.

  Além dos ganhos econômicos, há impactos sociais importantes. A redução da jornada melhora o equilíbrio entre vida profissional e pessoal, favorece o convívio familiar e pode beneficiar especialmente mulheres, que ainda acumulam múltiplas responsabilidades.

  Outro aspecto destacado é a diminuição do absentismo e da rotatividade. Empresas enfrentam custos elevados com substituições e afastamentos. Com jornadas mais equilibradas, trabalhadores tendem a faltar menos e permanecer mais tempo nos empregos, aumentando a estabilidade das equipes.

  O modelo também pode ser adaptado a diferentes setores. No comércio, por exemplo, algumas empresas mantiveram o funcionamento em todos os dias, ajustando conforme a demanda. Isso permite preservar o atendimento ao público sem comprometer a jornada reduzida.

  Do ponto de vista macroeconômico, análises históricas indicam que reduções na jornada não necessariamente prejudicam o crescimento. Estudos de diversos países mostram que, após mudanças na legislação trabalhista, houve aumento médio do crescimento do PIB, impulsionado principalmente pela maior produtividade e pelos efeitos indiretos no consumo.

  No Brasil, fatores como longos deslocamentos urbanos reforçam o argumento a favor da redução da jornada. Menos horas de trabalho podem significar mais qualidade de vida, melhor saúde mental e maior eficiência no desempenho profissional.

  A discussão sobre a semana de quatro dias ganha espaço globalmente e aponta para uma transformação gradual na forma de trabalhar. Mais do que uma tendência, trata-se de uma mudança estrutural que pode redefinir a relação entre produtividade, bem-estar e desenvolvimento econômico.

Fonte: Agência BRASIL

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