Crédito não basta: agronegócio e indústria exigem diplomacia contra o "tarifaço" dos EUA e enfrentam crise nas exportações
Setor produtivo brasileiro critica medidas paliativas e defende negociação diplomática diante da sobretaxa de 50 % imposta pelos EUA.
Crédito não basta: empresários exigem diplomacia comercial contra o "tarifaço" dos EUA
Embora o Plano Brasil Soberano inclua crédito e isenções tributárias, o setor produtivo adverte que essas medidas são insuficientes diante da sobretaxa de até 50 % aplicada pelos EUA e exige negociações diplomáticas eficazes para evitar o colapso das exportações.
“Crédito e financiamento não resolvem. Quando pedidos já são cancelados, tomar empréstimos apenas aumenta o endividamento. O governo precisa investir mais em negociação internacional e menos em ações paliativas.” — Roberto Frey, diretor da Renan Móveis, especializada em madeira maciça e com forte atuação nas exportações para os EUA.
A decisão de Washington trouxe impactos imediatos: alguns clientes absorveram os custos, mas outros cancelaram pedidos. A Renan Móveis teve de reduzir contratações e produção, afetando empregos, compras de insumos e a economia local.
O drama das pequenas e médias exportadoras é generalizado. De acordo com a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), cerca de 2 mil dessas empresas, com US$ 500 milhões em vendas anuais, estão em risco. “Muitos empreendedores investiram no comércio exterior e não podem ficar sem apoio. Se o tarifaço continuar, vários negócios podem desaparecer, elevando o desemprego”, alertou Alfredo Cotait Neto, presidente da CACB.
O Plano Brasil Soberano, anunciado em 13 de agosto de 2025, busca mitigar os impactos com medidas em três frentes: setor produtivo, trabalhadores e diplomacia comercial. O pacote prevê:
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R$ 30 bilhões em crédito via Fundo Garantidor de Exportações, priorizando empresas mais afetadas;
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Prorrogação do regime de drawback e suspensão de tributos, além do aumento da restituição via Reintegra;
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Criação da Câmara Nacional de Acompanhamento do Emprego, para monitorar postos de trabalho;
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Ampliação da diplomacia comercial, com foco em diversificar mercados além dos EUA, incluindo China, Índia, Europa, Emirados e outros.
Apesar de relevantes, essas políticas ainda não bastam. Empresários insistem que apenas a negociação diplomática e a reconquista de mercados conseguem garantir demanda real para seus produtos.
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