Serviços em Minas Gerais seguem em queda e ficam abaixo do país
Setor de serviços em Minas Gerais recua em fevereiro e tem desempenho inferior ao nacional, segundo análise da Fecomércio MG.
O setor de serviços em Minas Gerais apresentou novo recuo em fevereiro de 2026 e segue com desempenho abaixo da média nacional, segundo análise do Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência e Pesquisa da Fecomércio MG, baseada na Pesquisa Mensal de Serviços.
Na comparação com janeiro, o volume de serviços no estado teve leve queda de 0,1 por cento, resultado que, apesar de negativo, indica uma desaceleração menor frente ao recuo de 0,4 por cento registrado no mês anterior. Ainda assim, o indicador marca o terceiro mês consecutivo de retração na base mensal. No Brasil, o setor avançou 0,1 por cento no mesmo período.
Já na comparação com fevereiro de 2025, o cenário é mais preocupante em Minas Gerais. O estado registrou queda de 3,7 por cento, revertendo o crescimento de 3,0 por cento observado no mesmo período do ano passado. No país, o setor de serviços apresentou expansão de 0,5 por cento, mantendo uma trajetória de crescimento anual contínuo há 23 meses.
No acumulado dos dois primeiros meses de 2026, o desempenho mineiro também ficou no campo negativo, com retração de 2,5 por cento, contrastando com o crescimento de 2,1 por cento registrado no mesmo intervalo de 2025. Em nível nacional, o setor acumula alta de 1,9 por cento no ano, embora abaixo do ritmo observado no ano anterior.
Considerando o acumulado de 12 meses, de março de 2025 a fevereiro de 2026, Minas Gerais apresentou leve queda de 0,6 por cento, enquanto no mesmo período anterior havia registrado crescimento de 1,9 por cento. No Brasil, o setor mantém expansão de 2,7 por cento, ainda que com ritmo mais moderado.
De acordo com a economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves, o desempenho mais fraco em Minas está diretamente ligado à retração de atividades de maior peso econômico, como transportes, serviços às famílias e parte dos serviços profissionais.
Segundo a análise, o elevado endividamento das famílias tem limitado o consumo, que segue mais cauteloso e concentrado em despesas essenciais. O uso intensivo do crédito e o comprometimento da renda reduzem a demanda por serviços. Ao mesmo tempo, o alto custo do crédito também afeta as empresas, dificultando investimentos e decisões de expansão.
No cenário nacional, os segmentos com melhor desempenho no acumulado de 12 meses foram informação e comunicação, com crescimento de 5,2 por cento, serviços profissionais, com 2,8 por cento, e transportes, com 2,1 por cento. Já outros serviços apresentaram leve queda.
Em Minas Gerais, o comportamento foi diferente. Os segmentos de maior peso pressionaram negativamente o resultado, com destaque para transportes, que recuaram 2,0 por cento, e serviços às famílias, com queda de 0,7 por cento. Por outro lado, atividades classificadas como outros serviços cresceram 4,4 por cento, desempenho acima da média nacional, e o segmento de informação e comunicação avançou 2,4 por cento.
A Fecomércio MG, entidade que representa mais de 750 mil empresas e 54 sindicatos no estado, destaca que o cenário atual exige atenção do setor produtivo. Com 87 anos de atuação, a instituição tem papel central na defesa dos interesses do comércio de bens, serviços e turismo, além de atuar na qualificação profissional e no desenvolvimento social por meio de suas estruturas.
O desempenho recente reforça um ambiente de crescimento contido no setor de serviços em Minas Gerais, com desafios tanto do lado do consumo quanto do crédito, fatores que seguem determinantes para a retomada mais consistente da atividade econômica no estado.
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