Vendas de Natal em Minas têm estabilidade apesar da cautela do consumidor
Comércio mineiro encerra o Natal de 2025 com vendas estáveis, crédito em alta e consumidor cauteloso diante do cenário econômico.
As vendas de Natal de 2025 em Minas Gerais foram marcadas por estabilidade e adaptação do comércio varejista a um cenário econômico mais desafiador. Todos os segmentos do setor encerraram o período com resultados equilibrados, refletindo um comportamento mais cauteloso do consumidor, segundo dados do Monitor de Vendas do Natal, elaborado pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência & Pesquisa da Fecomércio MG.
O levantamento aponta que 43,4% das empresas alcançaram ou superaram as expectativas de vendas para a data, enquanto 42,8% registraram desempenho semelhante ao observado no Natal de 2024. Entre os empresários que relataram crescimento, os avanços se concentraram principalmente na faixa entre 10% e 20%. Já entre aqueles que observaram queda, as retrações variaram, em sua maioria, de 10% a 25%. O baixo fluxo de consumidores nas lojas e o elevado nível de endividamento das famílias foram os fatores mais citados para os resultados abaixo do esperado.
Para a economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves, o Natal de 2025 evidenciou um comportamento mais prudente tanto por parte dos consumidores quanto das empresas. Segundo ela, o comércio conseguiu manter relativa estabilidade mesmo diante de um cenário de restrições econômicas. O crédito teve papel decisivo, assim como o pagamento do 13º salário, que concentrou grande parte das compras nos últimos dias que antecederam o Natal.
De acordo com o estudo, 58,3% das compras ocorreram às vésperas da data comemorativa, após o pagamento da segunda parcela do 13º salário. O cartão de crédito parcelado foi o meio de pagamento mais utilizado, presente em 36,5% das transações, reforçando a estratégia dos consumidores de diluir os gastos. O ticket médio das compras ficou em R$ 200,31, com maior concentração na faixa entre R$ 100 e R$ 200.
As estratégias comerciais adotadas pelas empresas tiveram papel relevante no desempenho das vendas. Ações promocionais no ponto de venda, maior visibilidade dos produtos e campanhas direcionadas ajudaram a sustentar o consumo. O comportamento do consumidor foi marcado por pesquisa de preços, comparação entre estabelecimentos e decisão de compra condicionada à oferta de condições consideradas viáveis.
As vendas online estiveram presentes em 25% das empresas participantes da pesquisa. Entre essas, 37,8% relataram desempenho superior ao de 2024. Apesar do crescimento, o canal digital ainda representa uma parcela limitada do faturamento no período natalino, geralmente de até 20%. O estudo também mostra que 15% das empresas realizaram contratações temporárias para atender à demanda sazonal, reforçando a importância do Natal na geração de empregos pontuais no comércio mineiro.
O desempenho das vendas reflete a relevância do período natalino para a economia do estado, estimulando o consumo das famílias mesmo em um ambiente de juros elevados, inflação acumulada e renda pressionada. Houve elevação do consumo em dezembro em Belo Horizonte, movimento que se refletiu em outras regiões de Minas Gerais, favorecendo principalmente os gastos típicos de fim de ano.
Apesar das limitações estruturais que restringem o consumo de maior valor, o crédito permaneceu como principal instrumento para viabilizar as compras. A combinação entre meios de pagamento facilitados, a força afetiva da data e estratégias comerciais eficientes contribuiu para que uma parcela significativa das empresas alcançasse ou superasse suas expectativas, movimentando de forma relevante o varejo mineiro.
Ao analisar as perspectivas para os próximos meses, Fernanda Gonçalves destaca que os resultados do Natal oferecem sinais importantes para o setor. A dependência da renda e do crédito permanece elevada, tornando essencial o planejamento financeiro, a gestão eficiente de estoques e a integração entre canais físicos e digitais. Segundo a economista, esses fatores serão decisivos para que o comércio varejista enfrente os desafios previstos para 2026.







